| Queres saber como eu sou Como é esta geração Quem não quer que o diabo fale Não lhe dê ocasião Eu trago pele de cordeiro E memória de elefante O meu trunfo é o triunfo O motivo, ai o motivo é gigante Andei nas passas do Algarve Mas fui salvo como que por magia A minha vez chegou O céu desanuviou Hoje os astros alinharam E eu estou pronto para ganhar o dia Pronto para ganhar o dia Estou pronto para me consolar E ninguém, ninguém, ninguém Ninguém me pode incomodar Rapariga Rosa punk Põe o pé na junqueirinha Fosse o punk menos estanque Acredita que tu, Rosa, eras minha Vá, sai da Rua do Salitre E vem por esse mundo fora Traz a carta que tem escrito: Tradição é agora, agora, agora Disseram que era um caso perdido É, explicaram-te o destino que eu teria Por pouco desisti Mas ainda bem que não cedi Acabou-se o mal bocado E eu estou pronto para ganhar o dia Estou pronto para ganhar o dia Estou pronto para me consolar E ninguém, ninguém, ninguém Ninguém me pode incomodar Anos de insónia a esboçar Um voo desorientado De zangão perdido da colmeia Tornam o pingo de mel em taça cheia Venha lá ao bailarico Pôr a pedra no rescaldo Quem tem jeito do Porfirio Quem se esfalfa mas não é nenhum Ronaldo Eu vou na rebarbadora Que trabalha todo o ano Levo malhas e batidas De fazer redopiar um transmontano É bom também ter contrariedades Sem nunca perder a fantasia Tentar Falhar Sofrer Perder um tempo a duvidar Dobrar o empenho e humildade É, pintar cada momento de alegria Ver que a chuva parou O melro assobiou Vá, deixem lá contagiar-se que eu Estou pronto para ganhar o dia Estou pronto para me consolar E ninguém, ninguém, inguém Ninguém me pode incomodar |
Informações: • Disponível no álbum Diabo na Cruz (2014). Letra e música por Jorge Cruz. Produzido por Jorge Cruz e Sérgio Pires. Misturado por Nelson Carvalho. Masterizado por Andy VanDette. Curiosidades: • "Ganhar o Dia" é o segundo single do álbum Diabo na Cruz (2014), sucedendo a "Vida de Estrada". E é precisamente a vida da banda na estrada que é retratada no vídeo. Os bastidores, as viagens e o público dos concertos de Diabo na Cruz surgem destacados no vídeo realizado por Joana Faria. • "Ganhar o Dia" foi a última canção a ser feita para o álbum Diabo na Cruz. Jorge Cruz: «A última letra foi o Duzentas Mil Horas, que abre o disco. Sempre tive um bocado a ideia que as primeiras palavras deviam ser escritas no fim. Mas a última canção a surgir do início ao fim foi a Ganhar o Dia. Eu acho fixe, e penso que no cinema e na literatura isso também acontecerá, regressar ao início quando já sabes como vai ser a história. Esse tipo de equilíbrios interessam-nos quando vamos fechar uma obra como um todo.» • Jorge Cruz explicou numa entrevista o significado da letra: «Tem a ver com aquela sensação que toda a gente já teve: aqueles dias em que acordamos e sentimos que temos de superar as dificuldades. Todos nós atravessámos momentos com mais obstáculos e há sempre uma força interior [que nos motiva]. "Ganhar o Dia" tem a ver com essa temática, que é comum a Diabo: desde o Virou! que há canções sobre isso. Esta banda identifica-se com a ideia de se superar, mesmo na forma como entra em palco.» • Jorge Cruz: «A canção é mais sobre os nossos erros, os nossos falhanços na vida, e é sobre haver de certeza um dia na vida de toda a gente em que acordamos capazes de conquistar o mundo e ganhar esse dia, apesar das dificuldades que muitas vezes atravessamos. Não é sobre acordar todos os dias pronto para ganhar o dia. Espero é que muita gente se sinta capaz de ganhar o dia por ouvi-la. Nós às vezes fazemos as canções sobre como é que nós nos queremos sentir, muito mais do que como nós nos sentimos.» • Jorge Cruz sobre a linha "tradição é agora": «A tradição é uma linguagem, não é algo que está no passado. Nós pegamos nela para andar para a frente. Não podemos dizer que a Beyoncé não faz sentido porque os Beatles, o James Brown ou o Michael Jackson já aconteceram. O que está para a frente não é nada de museológico. Claro que vale a pena ter as grandes pessoas e os grandes monumentos em sítios onde a gente possa visitar porque é muito importante sermos gratos e lembrarmo-nos. Às vezes se calhar em Portugal há menos linguagem porque as pessoas não lembram tanto, ou até há algum tempo não lembravam. Passaram a estar mais à vontade a partir do século XXI. E não sei até que ponto o desaparecimento da Amália não marcou isso, ou coisas como o maior cosmopolitismo português, a Expo 98, o Euro 2004, o Figo. Um maior orgulho.» • A linha "Quem tem jeito do Porfirio" é uma referência ao futebolista Hugo Cardoso Porfírio, que foi uma das promessas eternamente adiadas das camadas jovens do Sporting nos anos 90. |
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